domingo, 21 de março de 2010




Elis Regina, a voz das Madalenas, Marias e Clarices.
A voz que brinca moleque o sonho de criança e ensina como nossos pais sobre as agruras do dia a dia.
A voz que dançou na bossa ao lado de Jair Rodrigues.
Durante seus 36 anos de vida, Elis Regina nos deu uma certeza.
A certeza de que no momento em que canta tudo é possível, desejado e permitido.

“Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos como nossos pais”

Elis é essa força que vem de dentro e explode na superfície, nos olhos fechados, no sorriso largo, nas sobrancelhas em pé que lhe conferem aquele ar desafiador, provocante e destemido.
Nas mãos que movem-se para o alto, procurando no espaço vazio a verdade torturante daquele momento, inquietas, intensas.
Tudo parece vibrar com sua voz.
Tudo pulsa, lateja, transborda em Elis Regina.

“A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rondaram
As minhas noites vazias”

Elis Regina é essa vontade de cantar o mundo em todas as suas notas, acordes e versos.
E ela canta.
Com fé cega e faca amolada, compreende em seu canto todo o velho, o novo, o nada será como antes.
Compreende em sua voz todo o mundo.
Os bêbados, as equilibristas, as águas de março e as romarias.
Elis Regina é a vida no limite, a canção, a voz que ultrapassa limites.
Que alcança os tons mais distantes e os corações mais escondidos.
Sublinhando com tinta quente, que arde como pimentinha e varre como furacão, todos os contornos possíveis da melodia.
Ninguém é mais o que canta do que Elis Regina.

“Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso quente, inebria, entontece
És fascinação, amor”

Elis Regina canta, sempre canta, música e vida.

Raphael Vidigal Aroeira

Lido na Rádio Itatiaia dia 21/03/2010.

1 comentários:

dick disse...

Adorei o texto. Parabéns!

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